pensamento ainda incompleto
o branco bate na pedra
e fica vermelho
quando bate o sol
a pedra bate de volta
e volta o branco
tal qual as marolas do lago
refletindo a cor do poente
em me por a pensar, me indago
(oh guaíba das tardes de sabado)
sempre pareço tão indiferente
por que o branco bate na pedra
bate no negro que bate no branco
e mesmo assim, mais me incomoda
tão intenso, o sol bate na água
que persiste como a violência
sorte: a natureza urge por paz
a água é suja mas não mata
bateu na pedra por que ama a pedra
é guerra, e é aina assim, tão sensata
temos tanto a aprender
com a pedra, o sol, a água
Segunda-feira, Junho 19, 2006
inerte
diariamente decido mudar o mundo
leio indignado as páginas de política
falo mal da capitalismice da economia
fico chocado com os assassinatos
não consigo nem rir lendo as tiras
formulo um plano de ação
a começar pelo extermínio dos ricaços da coluna social
e desisto em meio às palavras cruzadas
Sexta-feira, Junho 16, 2006
sou o dinheiro que paira no espelho
do orgulho que mata o perdão
uma imagem refletida em prata
como um bolo em forma de notas
o dinheiro, só trocados frouxos
eu, no espelho, mais um que não cede
um minuto de seu tempo aos outros
se atender é dar troco a quem pede
pois sou o dinheiro só meu
me espelho no reflexo do eu
brilho no brilho de ser
um bem monetário, um valor
que dá um pouco de sí
em troca de um pouco de amor