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Segunda-feira, Março 13, 2006
repeat... entenda
Os dois lados da vidraça
De um lado havia marcas
tantos dedos, todos sujos
Da gordura, havia marcas
dedos negros, todos rubros
De sangue, havia marcas
tantos medos, todos mortos
Quando o dia raiava
Deste lado da vidraça
Poucos raios transpassavam
Parece que nada passa
Pelo coração dos negros
Parece que nada passa
Pelos segredos e dedos
D'outro lado da vidraça
Deste lado, tudo errado
Tudo lindo, dedos nobres
Nada certo, dividido
Entre milhonários pobres
Deste lado o vidraceiro
Ganha em cheque sem fundo
De tanto vender espelhos
Que alimentam os imundos
E as vidraças que separam
Desiguais esses dois mundos
Sonhei que eu acordava
E a vidraça quebrada
Me lembrava das infâncias
A abastada e a injustiçada
A minha e a de outro guri
E observava perplexo
Por que sempre fora assim
D'outro lado, o reflexo
Parece não bater em mim
Deste lado da vidraça
Há alegria em ser criança
Deste lado, todo errado
Pois n'outro a esperança
é vingança como o dinheiro é nada
é morte de vida esquecida
é choro por leite derremado
mais desamparo aos desamparados
um lado fosco, outro espelhado
pelo mesmo Deus, abençoados
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