mudei-me para o nando co. circus
Quarta-feira, Maio 02, 2007
assim que me vejo no início
de mais um fim do mundo
tão logo visto meias novas e brancas
e tiro as sujas, e lavo-as
percebo como a vida é um ritual de passagem
e eu
sou um adereço, uma vela, uma chama
sou combustível, substituível, complemento
sim, sou chama, tu és chama, somos fogo
e a vida um ritual
que arde na abertura da nossa ferida
Terça-feira, Janeiro 02, 2007
mais parecia o cenário de "a auto-estrada do sul" a volta do feriado da praia. Não foi o suficiente esperar o sol se pôr para que a viagem de volta pudesse ser ao menos agradável. o inferno da volta à capital foi rea - quase duas horas apenas para percorrer o curto trecho que leva de capão da canoa a osório. são 32 quilômetros de distância que, dado o tempo de conclusão, foram percorridos a uma velocidade média de 16 quilômetros por hora, a mesma velocidade que um jovem alcança em uma corrida razoável.
a essa altura, caberia o questionamento: não teria valido mais a pena voltar da praia caminhando? era uma boa idéia seguir em frente? ou encostar no acostamento e dormir era a melhor coisa a se fazer? até a entrada de tramandaí, a viagem até fluira bem, mas passados esses 10 pífeos minutos que enganação, tudo parou. de repente, comecei a delirar e me imaginar no conto de cortázar, no qual a caricaturização do caos presente atinge a situação escrachada na qual os motoristas ficam presos por várias semanas num congestionamento rodoviário.
quando, milagrosamente, aproximamo-nos da free way; para meu desespero, a rodovia de largas pistas estava engarrafada.
continua.
Segunda-feira, Outubro 30, 2006
Escrever à noite era minha nova tática para afastar pensamentos mundanos e confiar na criatividade. Pra ser bem sincero, era uma maneira de confiar no meu taco. Eu ficava ali, escrevendo, tomando café com o som ligado. Normalmente escutaria bossa nova, mas na noite em que Luna entrou com cara de assustada, com os jeans molhados até as canelas, eu ouvida byrds. Eles me lembravam dela, e ali estava Ela.
-quase fui assassinada.
-do que voce esta falando?
-serio, quero ir embora, nao aguento mais essa cidade.
-ok beibe, mas me conte o que aconteceu.
-como se voce se importasse...
-luna, meu amor, o que que houve com suas calças?
-viu, voce nem liga.
-se ao menos voce se comunicasse... vamos beibe, me conte o que te aconteceu.
-é ele de novo, syd, o vendedor de doces.
..:ah cão, porque se apaixonou por uma mulher atucanada:.. (pensamento)
-vamos beibe, deixe esse vendeor pra la, vamos tomar um vinho.
-ora, voce nao percebe que eu estou ensopada e em estado de choque? preciso ver um medico.
-sim beibe, voce precisa de um remedio dos bons. venha, vou enrolar um baseado.
>telefone
-espere um pouco... alo? ... sim, ela esta aqui do meu lado ensopada, diz que quase foi assassinada, parece que ha sangue, sim, ha sangue na sua roupa, vou passar pra ela. a proposito, tudo bem comigo. toma, loon, é tua mae.
-ora, seu idiota, por que foi falar pra ela? ... oi mae. nao, ele soh estava brincando, nao aconteceu nada comigo, ele esta um tanto ironico por que seu texto bom ainda nao apareceu... é mae, eu sei, vou falar sim. tudo bem, beijo... seu desgraçado, assim ela vai querer que eu volte praquele cu de cidade.
-ora, lune, voce acabou de destruir minha auto estima pelas proximas duas semanas. venha, vamos fumar um, tomar um banho juntos e eu vou te fazer uma massagem, o que voce acha?
-humm, as vezes eu sinto que te amo.
-tambem te amo, beibe. Mas você tem que aprender a gostar da cidade em que mora também.
Quarta-feira, Outubro 04, 2006
Sair de casa pro show e os 15 minutos de ¿viagem¿ parecerem uma hora foi o de menos. Chegar no Pepsi on Stage e ver aquela fila de mais de 100 metros não foi nada. Entrei no pico quando os californianos do NOFX subiram no palco. A música de introdução fez a adrenalina subir, e como uma pedrada, enquanto meu cérebro parecia não perceber que a banda que mais escutei na vida estava há alguns passos de mim, Fat Mike começou a cantar os primeiros versos de Murder the government acompanhado pelo guitarrista Eric Melvin. Começava a cair o mundo. E veio Dinossaurs will dei, e começou a quebradeira, no melhor e mais destrutivo sentido da palavra.
Das milhares de pessoas que estavam no Pepsi um Stage, pelo menos umas 500 formavam rodas punks gigantescas que deixaram os gringos meio impressionados. ¿You wanna see something crazy? Look at you now¿, disse Mike . E as músicas que seguiram formaram um set list perfeito. Quando a viceral Linoleum deixava todos loucos, vinha a calmaria de Eat the Meek, ou um punk rock mais leve como Louise. Teve Stickin in my eye com Melvin berrando nos vocais e a versão de Radio, do Rancid, com direito a teclado. Pra um show do NOFX, os caras estavam profissionais até demais, e a emoção de assistir aos caras parecia contagiar até os mais desavisados, que sem sequer conhecer a banda direito - o que era de se esperar em um show cool como o do NOFX- , ouviram clássicos como Kill all the White men, Perfect government e Bob.
O fôlego acabava várias vezes durante o show, o riot não parava, e quando alertaram sobre as últimas duas músicas, o que veio foi Don¿t call me White, mais uma do clássico Punk in Drublic, fez do Pepsi On Stage o cenário do fim dos tempos, o aparente desfecho de uma noite que já deixava saudades. Theme from a nofx álbum foi de chorar, e a banda saiu, e ficou apenas Melvin com seu acordeon. E o público aplaudiu muito, e chamou pelo nome da banda, e aclamou o guitarrista gaiteiro, e eis que, após uma espera que não caberia nesse pequeno review, a banda voltou ao palco pra fechar a noite tocando I wanna be na alcoholic , Fuck the kids e pra se despedir de vez, Soul Doubt, mostrando que era um show de punk rock, que era o velho NOFX pelo qual tanto se tinha esperado. Com uma presença de palco irônica mas simpática, Mike, Melvin, Hefe e Erik foram embora, para talvez nunca mais voltar a pisar em terras brasileiras. Os dinossauro vão morrer, que bom que nos deram uma despedida tão do caralho. NOFX!
Sexta-feira, Setembro 01, 2006
terra sitiada
de gente sabida
e gente esquecida
terra sitiada
em estado de sítio
sem horta, sem verde
só frutos proibidos
pra gente esquecida
poder esquecer
que a memória não traz
o que a gente não vive
Terça-feira, Agosto 22, 2006
nós, os sem destino
e eles, os sem futuro
dividimos o mesmo ar
mas não o mesmo drama
no mundo deles, somos a fonte
mas somos o estorvo, a mágoa
no nosso mundo são praga
motivo do resmungo egoísta e tolo
do lado de dentro do carro
pensamos "por que não trabalham?"
pois temos de tudo no mundo
comida e valores burgueses
temos o nosso, que busquem o deles
mas no fim, o que buscamos nós?
hoje é dia de se deprimir
por que amanhã a vida recomeça
é dia de limpar o quarto
de espantar fantasmas
de sujar a cabeça
é dia quente e confortável
e fácil de reclamar dos pivetes
no caminho pra casa dos pais
Quarta-feira, Julho 26, 2006
sou só eu que não sou eu
ou ninguém é ninguém?
Sábado, Julho 22, 2006
Tudo por um pouco de tesão
Quando eu tinha uns 5 anos, tinha uma galerinha do mal na turma da escola. Eram temidos e admirados, um grupo do qual muitos queriam fazer parte, mas devido à forma de ingresso, poucos conseguiam. Eu nunca os achei nada de mais, mas era um dos poucos. Os 'Comedores de Cola', como eram conhecidos, discursavam sobre os benefícios de ingerir cola, batom e outras substâncias de fácil obtenção para crianças da nossa idade. E como comiam Tenaz, aqueles infelizes. O pior é que sobreviveram...
Agora, partindo pra algo semelhante mas muito mais sério. Devido às férias, to sempre na Cidade Baixa. Lá, em frente ao Bells (barzinho da moda), o cheiro de cigarro se confunde com o cheiro de gente que enforcou o banho; com cheiro de baseado e cheiro de gente perfumada; cheiro de guria, cheiro de homem. Cheiro de mijo e cheiro de cola. Mas não a branquinha escolar, lavável e inofensiva até para nossas mucosas internas. Esta cola exala cheiro volátil de solvente, penetra nas narinas de todos que passeiam por ali (ou por qualquer lugar nos arredores do centro ou das sinaleiras da Ipiranga). É a cola de sapateiro, que cola as solas e assola o corpo dos jovens pivetes que ocupam as ruas de Porto Alegre.
Eu tinha me acostumado a nem dar bola, não sentia mais nem um pouco de pena dos gurizinhos de 1,30m de altura, com seu paninho na mão fechada, e aquele rosto sempre parecido, com traços cadavéricos, o crânio moldando a pele esticada do rosto e os dentes projetados pra frente, corroídos pela droga. O máximo de contato que eu tinha com eles era quando negava as moedas "pra comprar pão" ( aaaham! ). Dizia que não tinha nada e eles iam embora; em raras vezes ainda os desmascarava "é pra comprar a colinha que eu sei cara!", e ele fingia que nem ouvia e seguia pro próximo.
É, os cheradorezinhos já faziam parte da paisagem, do repertório de tristezas a serem ignoradas por qualquer portoalegrense que queira se embebedar sem desconfortos. Mas ontem, caminhando de um bar pro outro, ví duas gurias gatíssimas agachadas conversando com um gurizinho. Fui diminuindo o passo para ouvir o que elas falavam. Estavam tentando convencê-lo de que não valia a pena cheirar aquele troço, que ele era uma criança, que ia estragar sua vida. O pitoco retrucava rindo, envergonhado, que ele achava muito divertido, e que vivia na rua mesmo, a vida dele ia ser aquilo ali para sempre, então, que tivesse diversão. Fui me afastando, e da conversa dos três, só ficou a lembrança, comprei uma ceva e bebi os dois copos cheios em alguns minutos.
Hoje, andando de carro na Ipiranga, assisti pela enésima vez um dos pedintes de esquina fazendo malabarismo. É raríssimo um desses moradores-de-baixo-da-ponte não consumir drogas, e a cola, entre os menores, é o preferido. Como que eles se coordenam pra jogar as bolinhas dum lado pro outro, botar atrás da cabeça, fazer embaixada e tudo o mais? Bem, a gente esquece que bebe todas e volta dirigindo "na manha", que já teve época em que fumava maconha e se dava bem na prova do colégio, enfim, drogas fazem mal, mas tem como conviver com elas. Aí me liguei que talvez eu ignorasse os pequenos cheirando na Cidade Baixa, por que, assim como eles, eu tava lá pra me drogar, ceva atrás de ceva - eu e os da cola buscamos algo em comum: prazer, imediato e artificial. Por isso que a polícia trata os bebuns e os cheiradores da mesma forma: as duas drogas estão totalmente incorporadas na cultura dos que as consomem, e não há sequer instrução para que eles não o façam - o álcool é legalizado, e quem cheira cola não vai pra escola.
Hoje vou pro Bells beber de novo, e mais uma vez sentirei a caótica combinação de cheiros. No meio deles, estará o da cola de sapateiro, e eu, com meu copo de droga etílica, vou olhar um pivete dos clássicos, acenar com meu copo, sentir a reciprocidade da fraqueza. Ele levantará seu paninho, dará um bafo dos bons. Eu darei um golão. Não teremos palavras pra trocar, apenas a solidariedade dos que, por um instante, estão na mesma merda. Ele partirá, beberei mais um pouco, e darei um gole pro santo e outro pra Deus, por que se ele é brasileiro, deve curtir uma gelada.
Sexta-feira, Julho 21, 2006
eu adoro feriado, e não tenho nada contra dias de descanso, eles são merecidos, porém...
Todo dia é dia de alguém
Hoje o Leiria tentou me enganar. Ele me disse que era "Dia do Dente Torto", e que ele havia cumprimentado uma colega de trabalho com uma dentadura bastante errática pela data. Eu dei uma risada virtual e questionei se era verdade mesmo, ao que ele respondeu que não e lançou a pergunta: "tu não acha que seria mais significativo do que o 'dia do amigo'?". Eu pensei um pouco e concordei.
Dia das mães, pais, trabalhadores, crianças, nossa senhora isso e aquilo: só no mês de julho, comemoram-se mais de 25 datas. Falando em 25, apenas no dia 25 de julho de 2006, estaremos todos celebrando fervorosamente o dia de São Cristóvão, do colono, do motorista, e - que honra - do escritor (sim, neste dia, até os mais frustrados dos empunhadores de caneta devem sentir-se honrados). Qual o significado disso tudo, então? Imagine alguém obcecado por parabenizar os homenageados do dia, terá boas açoes a realizar pelo resto de seus dias!
Daqui a pouco, vão faltar critérios para se designar uma data à uma classe, gênero, profissão, então partiremos para os nomes próprios. Teremos o dia do João, do Rafael, da Maria, do Carlos, da Juliana. Ter um nome incomum nunca terá sido tão amargurante. As Joaquinas quem sabe dividam um dia com as Giselas, mas o que será das Xilenes, dos Raphaéis com pê-agá, dos Aristécios? Aí, teremos o 'Dia dos Nomes Estranhos", onde todos os nomeados inusitadamente poderão unir-se em sua exclusão e serem cumprimentados por terem um nome feio.
Mas voltando ao motivo do post. Não há, realmente, relevância para essas datas. É uma invenção para perder tempo, algo como um consolo, como uma mãe que dá um presente pro filho quando ele está triste. Há o dia dos trabalhadores, no qual todos comemoram a vitória de ter um emprego no Brasil, passando um dia SEM a merda de se trabalhar 12 horas por uma mixaria. Não quero ser agressivo, então nem vou entrar no mérito do trabalho na terrinha. Afora essas datas consolantes, recompensas à irresistíveis derrotas, há aquelas que são motivo para compra de presentes.
Complementando esse texto (tão sem pé nem cabeça quanto o que o motivou), deixo minha opinião. O 'Dia do Dente Torto', simbolicamente, representa mais do que a maioria das outras datas, que existem, comemoradas diariamente. Já que criar o dia do trabalhador não resolve o problema do desemprego, e o dia dos pais e das mães não aproxima a família mais do que o mundo de hoje os afasta, que criemos dias com utilidade pública, que motivem a solidariedade.
Ao invés do Fome Zero, façamos uma vez por semana o 'dia dos abonados darem um prato de comida a alguém na rua'. Talvez seja muito grande para escrever no calendário, talvez não sirva em nada para os comerciantes faturarem, mas se é pra isso que as datas existem, queimemos os calendários e demos aos comerciantes a opção de mudar de ramo, pois de marketeiros já bastam os políticos. Assim, enchamos os meses de datas que sirvam pra alguma coisa, pense bem, um dia de não matar quem reage a assaltos, ou o ainda mais incrível, dia de não assaltar! Mas pra isso, é claro, o dia dos abonados darem um prato de comida a alguém na rua teria que funcionar e se repetir quase que diariamente.
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Pensei em várias formas de começar a escrever esse post, uma mais idiota que a outra. É foda querer ser criativo, ainda mais pra escrever sobre algo que, antes te causasse algum tipo de incomodo, te é totalmente sem importância. Anteontem foi dia do amigo. Ou ontem, não importa.
pra quem entra na fila no brasil
há sempre a opção da meia volta
o direito à multa
ou a vergonha do furo
Terça-feira, Julho 18, 2006
os homens sobem no ônibus
que para pra quem mostra o dedo
e para sempre ao fim da linha
que é sempre também o começo
daqueles que já vêm cansados
e sobem de cabeça baixa
atravessam fora da faixa
levam na carteira uns trocados
e bebem um copo de cachaça
e choram e riem da desgraça
e voltam no escuro pra casa
e dormem a noite abreviada
são homens que acordam cedo
levantam a mão para o ônibus
e abaixam a voz pro patrão
e descem o braço nos fihos
pois têm a esperança no chão
andam nos seus tortos trilhos
aceitam sua condição
são homens que não pensam muito
porque é perda de tempo
pois o ônibus
vem sempre na mesma hora
Quinta-feira, Julho 13, 2006
agora eu posto textos aqui: www.holiud.blogspot.com
As férias são tediosas quando são só suas e de mais ninguém
Eu poderia estar me divertindo. Eu deveria estar. Mas estou aqui há horas, e a culpa é só minha. Eu devia ter pego recuperação na faculdade. Eu devia ter aceito qualquer estágio ou até um trabalho de gari. Eu devia ter procurado ontem, alguém para casar hoje. Eu devia ter posto em prática minha idéia inviável de morar sozinho com um salário de estagiário, sem sequer ser um. Sim, eu queria estar ocupado com a mudança. A de casa ou qualquer outra.
Às vezes as férias são um saco pelo simples fato de esperarmos por algo muito divertido durante nossos dias de ócio-recompensa. São um saco porque quando estamos ocupados com a faculdade somos tão medíocres que não sobra nada, apenas coçar esse saco que nos reservamos - não há projetos, apenas planos mentais que se perdem em meio a confusão que criamos por não ter nada para organizar. É tão pouca coisa concreta pra pensar, que não é sequer organizável esse pensamento do ócio.
E eu estou aqui falando mal das férias enquanto deveria estar me deliciando com elas. Sim, é muita mesquinhice reclamar de não ter nada pra fazer, nem com quem falar, quando todo o resto de seus amigos está dormindo suas sete horas de sono, para acordar amanhã às 7 horas e ir trabalhar por mais oito. Enquanto escrevo, meu irmão passa atrás de mim com um copo de água rumo à toca, e eu com a possibilidade de estar na Cidade Baixa com um copo de ceva, conhecendo outros mortais boêmios, corpos femininos evaporantes, estou aqui, afinal, se estivesse lá, falaria-lhes de como estão tediosas minhas férias, de como não tenho sequer no que pensar. É chato!
E vocês, como estão? O que acontece nos dias em que trabalham fora o que dizem pra quem faz tal pergunta? Como estão suas vidas fora tudo tranquilo? Será que sou só eu que preferia a orgia ufanista da copa? É, Porto Alegre pode ser maravilhosa quando não nos esforçamos em tornar ela um saco. Falando em saco, tá coçando...
Quarta-feira, Julho 12, 2006
Syd Barrett 1946-2006
Roger Keith Barrett morreu numa 6a feira de julho. Devia fazer calor em Cambridge, mais do que o normal, e como diabético, ele devia estar suando pra caralho. Provavelmente ofegava. Quando deu seu último suspiro, se existe mesmo algo de sobrenatural nesse mundo, muitos mortais devem ter sentido uma pontada no peito, uma orelha quente, um calafrio. A música de Syd, tanto no Pink Floyd quanto em carreira solo, era singular. É redundante, eu sei, mas ela era singular por sua singularidade, porque se existe uma definição para o termo música, esta provavelmente não sirva muito bem para o que Barrett fazia. Poderia dizer que foi influência para dezenas de artistas da música pop mundial, e que paradoxalmente, era muito anti-pop. As seqüências, a estrutura caótica, a simplicidade, o improviso, faziam da música do Floyd nos anos 60, e posteriormente do Madcap Laughs e do Barrett - seus albuns solo, de 69 e 70-,obras magníficas e tocantes. É tudo muito óbvio pra quem conhece a falta de obviedade Barrettiana.
Barrett não descia redondo à primeira escutada, é verdade. Mas uma vez que a fantasia era digerida, que a psicodelia era incorporada, o ouvinte passava a sentir com aquela música algo que dificilmente sentira antes. Talvez Beatles tenha um efeito parecido, principalmente no Revolver e no Sgt Peppers, mas nada se parece com The Piper at The Gates of Dawn, e nenhuma gravação tosca e sem ritmo pode causar o êxtase que as psicodélicas palhetadas e o canto perfeitamente desafinado de Syd solo causam.
Há um sentimento de pertença, um orgulho em gostar de Syd Barrett. De figura esquecida a simbolo cult, é fácil perceber que o homem adquiriu uma aura, um super-valor que o proviu de um caráter divino. Ainda assim, é um tanto underground. É como se fosse um tesouro que você preferia que ninguém mais soubesse, mas já que muitos mais sabem, é melhor que se faça um pacto pra não espalhar por aí. E já que é um tesouro e você se sente especial por possuí-lo, não perde uma oportunidade de dizer o quanto a música de Barrett te toca, o quanto ele é especial, como o LSD foi ao mesmo tempo o estopim - de sua genealidade e de sua queda. Há tanto para se dizer de Syd Barrett, e ao mesmo tempo tão pouco. Pouco por que, desde meados dos 1970, quando sumiu do mapa, o personagem Syd Barrett morreu. O Roger Keith Barrett, que continuou vivo até a triste sexta-feira, 7 de julho de 2006, era um homem qualquer, que vivia uma vida calma, sem glamour, andando da casa pra padaria, da padaria pra revistaria, e dali pra casa, onde pintava quadros e mexia no jardim. Esse Roger Keith Barrett foi quem faleceu, e dele, pouco se tem a dizer, e pouco importa.
Mais do que um dos maiores gênios do século XX, morreu com Barrett a esperança de milhares de fãs, de ver um dia o diamante louco voltar a brilhar, e com suas sequências caóticas de acordes, tocar nossos caóticos corações daquele jeito que nos tira do mundo em que vivemos, e nos leva para junto dos gnomos, espantalhos, planetas, o mundo dos sonhos, da nostalgia e da satisfação -sem a necessidade de LSD!
Clichê: shine on your crazy diamond.
Sexta-feira, Julho 07, 2006
nós, diferentes e nós, iguais
Buscamos a beleza em imagens
findamos sempre tão frágeis
pois vemos tão belo
e sentimos tão feio
ao prazer de fingir a ilusão de sentir
enganamos nós mesmos
na nossa quase diária
ode ao pôr-do-sol
e como o astro adorado nós vamos
do radiante amarelo quente do dia
ao vermelho escaldante que anuncia
a crueza obscura e clara da lua
nos perdemos na imensidão do céu
na noite, sem achar a estrela guia
é metafórico mas é tão verdadeiro
por que criamos nossos obstáculos
e superamos, cada vez mais fortes
e inventamos nosso próprio azar
para bradar nossa própria sorte
e salutamos uns aos outros
como sobreviventes do caos
mas dentro de nós
levamos todo o caos do mundo
Sábado, Junho 24, 2006
pensamento ainda incompleto
o branco bate na pedra
e fica vermelho
quando bate o sol
a pedra bate de volta
e volta o branco
tal qual as marolas do lago
refletindo a cor do poente
em me por a pensar, me indago
(oh guaíba das tardes de sabado)
sempre pareço tão indiferente
por que o branco bate na pedra
bate no negro que bate no branco
e mesmo assim, mais me incomoda
tão intenso, o sol bate na água
que persiste como a violência
sorte: a natureza urge por paz
a água é suja mas não mata
bateu na pedra por que ama a pedra
é guerra, e é aina assim, tão sensata
temos tanto a aprender
com a pedra, o sol, a água
Segunda-feira, Junho 19, 2006
inerte
diariamente decido mudar o mundo
leio indignado as páginas de política
falo mal da capitalismice da economia
fico chocado com os assassinatos
não consigo nem rir lendo as tiras
formulo um plano de ação
a começar pelo extermínio dos ricaços da coluna social
e desisto em meio às palavras cruzadas
Sexta-feira, Junho 16, 2006
sou o dinheiro que paira no espelho
do orgulho que mata o perdão
uma imagem refletida em prata
como um bolo em forma de notas
o dinheiro, só trocados frouxos
eu, no espelho, mais um que não cede
um minuto de seu tempo aos outros
se atender é dar troco a quem pede
pois sou o dinheiro só meu
me espelho no reflexo do eu
brilho no brilho de ser
um bem monetário, um valor
que dá um pouco de sí
em troca de um pouco de amor
Segunda-feira, Março 13, 2006
repeat... entenda
Os dois lados da vidraça
De um lado havia marcas
tantos dedos, todos sujos
Da gordura, havia marcas
dedos negros, todos rubros
De sangue, havia marcas
tantos medos, todos mortos
Quando o dia raiava
Deste lado da vidraça
Poucos raios transpassavam
Parece que nada passa
Pelo coração dos negros
Parece que nada passa
Pelos segredos e dedos
D'outro lado da vidraça
Deste lado, tudo errado
Tudo lindo, dedos nobres
Nada certo, dividido
Entre milhonários pobres
Deste lado o vidraceiro
Ganha em cheque sem fundo
De tanto vender espelhos
Que alimentam os imundos
E as vidraças que separam
Desiguais esses dois mundos
Sonhei que eu acordava
E a vidraça quebrada
Me lembrava das infâncias
A abastada e a injustiçada
A minha e a de outro guri
E observava perplexo
Por que sempre fora assim
D'outro lado, o reflexo
Parece não bater em mim
Deste lado da vidraça
Há alegria em ser criança
Deste lado, todo errado
Pois n'outro a esperança
é vingança como o dinheiro é nada
é morte de vida esquecida
é choro por leite derremado
mais desamparo aos desamparados
um lado fosco, outro espelhado
pelo mesmo Deus, abençoados
Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
Engano
Me aproximo da beira do rio, no estacionamento oblíquo onde os macumbeiros param suas vans velhas em dias de despacho. Vejo esses três homens em torno de um carro. O automóvel tem a roda presa no cordão da calçada e os homens observam, pensando numa solução para o problema, ou em como aquilo foi acontecer. Nada dos fiscais.
O Sol se pondo no horizonte me chama, esqueço por um minuto a cena singular que rolava, acendo meu palheiro, observo a bola de fogo que me encara enquanto ela se esconde por trás da linha que separa o mundo que eu vejo do que foge do meu alcance.
continua...
Terça-feira, Janeiro 31, 2006
várias pistas, coincidências culminaram naquele dia 31 de janeiro de 2006, 3:33 da madrugada. Já vinha notando os algarismos repetidos há semanas, e talvez já estivesse até exagerando e criando uma neurose obsessiva. qualquer horário escondia uma maldição. Era sempre 11:11, 1:23, 1:11, e o pior de todos, a metade do número da besta, 3:33.
31 de janeiro, 3:33, um carro chacoalha na pista, um corpo é jogado no asfalto, um corpo olhando pro alto, voando alto, jorrando alto.um corpo agonizante, de súbito sem vida.
ele não poderia contar a mais ninguém sobre os números que lhe avisavam sobre seu fim. havia falado apenas para sua mãe, mas ela não acreditava em supestições.
fim
Terça-feira, Janeiro 17, 2006
não devaneio à toa,
eis meus motivos:
eu vejo a brisa do lago
tão logo piso
fora do meu abrigo
e devaneio sim
tão logo existo
tão logo penso,
nem sempre conquisto
mas sinto a brisa do lago
poluido-esverdeado
e de louco me dou conta
que a conquista que conta
é a vida que desponta
tão logo trago
e solto
Sexta-feira, Janeiro 13, 2006
nonsense
um grã o de pólen
a centímetros do olho
enganou o homem
achou que era vulto
no canto da vista
puxou o gatilho
pegou na tevê
sua vida não tinha mais sentido
suicidou-se
Segunda-feira, Dezembro 26, 2005
Dezembro, 25
Fontaneli não tinha muito o que comemorar naquele natal. Conquistas pessoais não tinha há tempos, amizades recíprocas eram uma rara ordinariedade,dessas que deviam aparecer sempre e não apareciam nunca. Mas tinha um cão, não muito amistoso, porém fiel como um cão-melhor-amigo-do-homem tem que ser. Ástrel não tinha raça definida. Não tinha sequer nome, ou se tinha, Fontaneli não sabia. Ástrel.
Ao estourar sua 6a garrafa de champanhe, lembrou da 6a série, das sextas-feiras, do sexto sentido, dos 6 pecados capitais. Não, eram sete! - corrigiu-se, mais um gole da taça. Em sua embriaguez, olhou o teto, olho o nada, olhou o teto mais uma vez, por trás da cortina de cílios, olhou o nada.
Acordou com o barulho da campainha. Achou que era sonho e tentou dormir, mas a sineta persistia. Levantou-se e foi até a porta, olhou pelo olho mágico. Droga, pensou, o que os vizinhos querem em plena noite de Natal.
- Diga, senhora Schreiden, o que a trás a minha porta nesta noite?
- Senhor Fontanelli, eu estava me perguntando se o senhor não poderia...
- Olha, senhora, eu estava dormindo, quem sabe amanhã...
- Mas sr., é um favor urgente que o sr. tem que me fazer. Meu gato Ástrel, ele está preso entre o armário e a parede, ele não consegue sair de lá, ele vai...
- Eu entendo senhora Schreiden, mas a sra. note uma coisa. Se olhar pra sua geladeira sem abrir a porta, provavelmente terá algum daqueles imãzinhos bagaceiros com telefone de algum faz-tudo, enfim, alguém que não tenha natal, pois eu estava ali...
- Não, por favor senhor, tenho medo que o Tel morra asfichiado (sic), só preciso da ajuda do senhora pra arrastar o móvel.
- Senhora, se não tem paciência para procurar o telefone do faz-tudo, ligue pro 190.
- Obrigado pela disposição, SR. FONTANELLI! - disse a mulher, a raiva transparecendo por traz das feições de preocupação.
- De nada, senhora, antes de ir só me responda uma coisa.
- Sim?
- Qual o nome do felino?
- Ástrel, como seu cão, não é? - nesse momento voltou a sorrir constrangida pelo plágio.
- Mas a troco de quê a senhora botou no seu reles gato o nome do meu cão arisco?
- Eu ouvi o senhor conversando com ele uma noite, e eu estava tão solitária, e pensei: vou comprar um companheiro, então comprei Ástrel e achei um nome bonito, o senhor sabe, Ástrel, é um nome muito bonito, não?
- A SENHORA NÃO COMPROU ¿ÁSTREL¿. ARRANJE OUTRO NOME PRO SEU GATO IMUNDO. ORA, CÉUS, SERÁ QUE NEM NO NATAL A VIDA ME POUPA DESSES DESPRAZERES PATÉTICOS.
- Senhor... d..d..desculpe, eu não queria ter incomodado, eu, eu, eu sinto muito, eu, eu...
- EU poderia deixar seu felino SUJO morrendo sufocado no seu próprio corpo de BOLA DE PÊLOS, senhora Schreiden. Mas é NATAL, NÃO È? Mostre-me logo onde está isso.
Fontanelli e mais um de seus péssimos natais. Fontanelli e a irritação suprema que se apossava de seu corpo mal-humorado, seus fluídos endurecidos, sua alma anciã e doente. Agora ele faria caridade. Ah, como era bom. Os poucos momentos em que o crápula ficava alegre eram quando o sentimento solidário tomava conta de seu corpo, como se o altruísmo fosse palavra conhecida, ao menos.
Ah, sim. E agora, ele coroaria sua saga patética de noites natalinas com mais uma caridade besta que prorrogaria sua sofreguidão fragmentada. Que idiota! Que perdedor! E aquela vizinha besta ainda ousava copiar o nome de Ástrel. E além do mais botá-lo num gato sujo, podre, fétido, mórbido e interesseiro. Salvar um bicho desses, pra quê? Sim, caridade, caridade...aff!
- Aqui sr, se o senhor arrastasse...
- Oh sim, o gatinho, oh, como mia! Isso é choro ou alegria senhora? Sabe a senhora que sentimentos esse bolor carnívoro manifesta? Esse lixo que você ousou nomear Ástrel em homenagem ao meu familiar mais querido, meu ente mais presente, o único que passou o Natal comigo enquanto a senhora certamente era consumida por trás nesse seu quarto imundo, dava um chute no armário e esmagava seu gato sujo, retrato da sua desgraça, contra a parede! Eis minha caridade, senhora. Vou acabar o trabalho que a senhora começou!
Com um chute forte, prensou o armário que prendia o felino contra a parede. Um miado falho foi ouvido. Fontanelli beijou com olhos profundos a mão da mulher que sofria paralisada. Deixou o local e foi caminhar enquanto saboreava seu cigarro relaxante pelas ruas da Surrey.
Ao dobrar a esquina em direção à estação do SkyTrain, uma ratazana atravessou seu caminho. Sentiu um pouco de compaixão pelos gatos, afinal de contas, eles mantinham a cidade limpa dessas pragas. Lembrou do felino sujo que acabara de liquidar. Sentiu nojo dos gatos. Vá ratinho, corra na sua liberdade natalina, coma nozes, amêndoas e frutas na mercearia, mate esses felinos podres com sua leptospira eficaz. Mas não os cães, não Ástrel. Este era fiel, sentimental, vacinado. Quase como gente. Ora, preciso de mais uns goles.
Sábado, Outubro 15, 2005
tempo jogado fora
pensando, penando
jogado fora
jogando, teclando
jogado fora
forçando a fala
quanto mais
tento o tempo
mais tempo
ela me tenta
tomo atitudes
e mais tempo
ela me toma
quanto dia perdido
perdendo o dia
quanto assunto perdido
matando a cria
atividade cansada
repetitiva
quanto assunto perdido
repense a vida
desligo o televisor
e leio um livro
mas o tempo que passou
ninguém me livra
dessa perda que eu quis
e me arrependo
pra ser livre tem que ter
usado o tempo
a favor do tempo
Sábado, Outubro 08, 2005
o saga de girl caviér
do presente só se sabe
de suas famas de paty
que se entregam a um boyzinho
vacas prontas pro abate
debutantes já estão prontas
para dar atrás do muro
noivam cedo e fazem contas
pro otário do futuro
do primeiro casamento
aproveitam a banheira
e o otário enche o peito
e esvazia a carteira
maricotas eriçadas
empapadas de pacotes
festejam em gargalhadas
a posição de cocote
mal sabem o que é a vida
e os consumidos pela luta
ignoram-nos as queridas
em seus modos de puta
Sexta-feira, Setembro 16, 2005
Os dois lados da vidraça
De um lado havia marcas
tantos dedos, todos sujos
Da gordura, havia marcas
dedos negros, todos rubros
De sangue, havia marcas
tantos medos, todos mortos
Quando o dia raiava
Deste lado da vidraça
Poucos raios transpassavam
Parece que nada passa
Pelo coração dos negros
Parece que nada passa
Pelos segredos e dedos
D'outro lado da vidraça
Deste lado, tudo errado
Tudo lindo, dedos nobres
Nada certo, dividido
Entre milhonários pobres
Deste lado o vidraceiro
Ganha em cheque sem fundo
De tanto vender espelhos
Que alimentam os imundos
E as vidraças que separam
Desiguais esses dois mundos
Sonhei que eu acordava
E a vidraça quebrada
Me lembrava das infâncias
A abastada e a injustiçada
A minha e a de outro guri
E observava perplexo
Por que sempre fora assim
D'outro lado, o reflexo
Parece não bater em mim
Deste lado da vidraça
Há alegria em ser criança
Deste lado, todo errado
Pois n'outro a esperança
é vingança como o dinheiro é nada
é morte de vida esquecida
é choro por leite derremado
mais desamparo aos desamparados
um lado fosco, outro espelhado
pelo mesmo Deus, abençoados
Quarta-feira, Agosto 17, 2005
tamega is weed-dog
the lion, the king
of the kingdon "da sky"
nickname? weedog
the dog that got high
not once, more than twice
his name comes from th weed
which he-it doesn't like
when i'm high
when i'm just as high
as stars in the sky
i like to come by
with some imagination
or just crazy ideas
creating ideals
or just giving love
to my dog
weedog is getting old
so's his soul and his bones
hadn't the doctor just told
sooner-later'd come tru
that things god has constructed
shall the nature destroy
germinating some good thoughts
turning pain into joy
as you picture another world
not putrification bacteria
not a virtual world
not the usual virus
which are not bacterias
call it death, call it soul
doesn't matter material
weedog's been in this world
for somelong
but howlong
should him wait
till some day
doesn't long
long enough?
how long
should him wait
till one day
doesn't long
enough
pro tâmega.
Sábado, Agosto 13, 2005
O rádio é um mundo
Guiado pelo segundo
É um segundo mundo
Segundo os acontecimentos do mundo
Real
O rádio é paralelo
É a voz do além, é o alelo
Recessivo dos nossos anseios
Dominante em nossos receios
No rádio outro mundo acontece
Para aquele que dele carece
E para o que sem ele envelhece
Andava eu na rua distraído
Vi um senhor andando distraído
Como fosse um boi, um mugido
Soltou um grito ardido
Era o rádio na mão
E perplexo então
O universo se fez
Duplicado em irmãos
Gêmeos estes dois mundos
O a dinheiro e o à pilha
Quinta-feira, Agosto 04, 2005
A felicidade
Está aqui e ali
Mas se não está aqui
Ali também não a encontrará
A felicidade
Não está na "cidade"
Mas na "feli"
Que junta-se ao "z"
De zelo e apego
E assim se é feliz
Não procure por ela
Sob o tapete sujo da sala
Procure sob as tristezas
Por que todos passamos
Ali a encontrará
Como pedra bruta
Querendo brilhar
O polimento é a luta
Terça-feira, Julho 19, 2005
work
A verdadeira labuta é a luta
Do intestino com o destino
Que toda comida que entra
É toda a comida que sai
Eu defeco, tu defecas
Todos defecam no escritório
O que seria do banheiro
Se só houvessem mictórios?
Já são tantos marinheiros
Perdidos nesse mar cabreiro
Onde afundam os verdadeiros
Onde leves são os miseráveis
Olha, o navio faz curva
De papel higienico faz-se a luva
Para limpar os estribilhos
Que cagam cargueiros de milho
Obrigação é fumar a erva
Prazer é fumar o beck até o fim
Primeiro a obrigação, depois o prazer
Os dois são tão bons, melhor é saber
Que a ordem é ordem
E pra acontecer
Basta acender
Quinta-feira, Julho 14, 2005
Karine Listerine, putinha de magazine
Não termine sua vidinha
Ó querida menininha
Retirando purpurina
Com uma pinça da retina
Nessas noites em que pinta
Pintos de brilhantina
Não termine seus domingos
Com rapazes dormindo
Assim mesmo no plural
Nesse tão sujo curral
Não,menina, não termine
Passe ao menos Listerine
Antes
Do próximo beijo que deres
Ao menos desinfete
Os cloriformes fecais
E bote fora o feto
Abortado sem pai
No mesmo lixo das seringas
Terça-feira, Julho 12, 2005
Prefiro as mãos vazias
Do que malas cheias de notas
Más rotas, más alegrias
Vinte
E quando você vê, tem vinte anos. O vinte é um número estranho, pois não me lembra nem juventude nem maturidade. Associaria o vinte mais freqüentemente ao século que passou, à cédula de vinte reais, enfim, o vinte é muito mais carregado de significados se interpretado pelo seu valor histórico e econômico do que pela idade que representa.
Pessoas de vinte anos não têm nada de novo para oferecer. Sua jovialidade, os de 17 têm em dobro pra oferecer. Sua possível responsabilidade, o emprendedorismo de que alguns "pseudo-adultinhos" de vinte anos parecem estar providos são ofuscados por lapsos, surtos de criancisse que volta e meia atingem os vinteanos.
Mas o pior dos ´com vinte´ é que a gente ainda lembra deles 5 ou 6 anos atrás, adolescentes no auge da puberdade, cheios de espinhas e dilemas, movidos a hormônios e curiosidade.Aí, a máscara dos vinte cai, e o vinteano parece um lobo perdido, uma criança dissimulada, um adulto débil.
Em homenagem ao meu amigo que não é 20, é 23.
Terça-feira, Julho 05, 2005
- ...então, antes de mais nada, quero deixar dito que daqui uns 5 minutos, vou matar todo mundo.
- O quê? Mas isso não faz sentido, nós nem reagimos. Não seria correto o senhor apenas levar o que quiser e deixar-nos viver?
- Sabe qual o problema? É essas pessoinhas que não reagem. São vocês que têm que morrer. Afinal, de que adianta ganhar muito dinheiro se o trabalho não te der prazer? Qual é a graça de ser ladrão se vocês não dificultam? Eu quero me sentir fodão, sabe?
- Ah, cara... eu te acho fodão!
Dois tiros foram desparados na direção da vítima puxa-saco e medrosa.
Domingo, Julho 03, 2005
quem sabe um dia
biologia
Sábado, Julho 02, 2005
isso não é um poema suicida, caso você não reconheça, é arte.. aguarde por aí pela primeira edição do poema progressivo! na próxima postagem!
Pelo Ralo
Sabe, a sabedoria
Nem era tudo que eu queria
Dinheiro, queria, não tive
Sabe, a sabedoria?
Prefiro as mãos vazias
Respiro, sangue na pia
Sabe, a felicidade
Não é boa se vira saudade
Família, se tive, não pude
Dizer tudo que queria
Sofrego, as mãos na pia
... e a lâmina me dá alegria
Sabe, a sabedoria
Nem é assim tão bela ofuscada
Pelas incontáveis mancadas
Sabe, a sabedoria
Escorreu com o sangue
Sabe, liguei a torneira
E o sangue, ele sabe a escarro
Rubro-fosco feito corrimento
Sabe, é aquilo que eu falo:
Que a vida se vá pelo ralo
Sa..be..d..d.doria?
d...Doia
A..g..gora..
Passou...
.. (suspiro final)
tchau.
weeboy sinsemilla satcrêa
Segunda-feira, Junho 27, 2005
A semântica explica muitos problemas sociológicos.
Vejemos a relação pai-filho. Os jovens reclamam muito que seus pais acham que são seus donos . Tolos os jovens, não entendem que, sendo eles seus pais, devemos lembras que pré-existem dentro do campo semântico algumas atribuições comportamentais à palavra pai, dentre elas a relação de posse. Um pai sente instintivamente que é dono de seu filho, logo prova-se eventualmente que ainda e quem manda. por um exemplo, seu pai nunca vei às duas da manhã na sala e quando viu você no computador, perguntou: "não vai dormir, meu filho?". mas que pessoa de 50 anos não lembra que aos 19 já sabia escolher a hora certa para ir dormir?
bom, revoltas adolescentes incubadas à parte, o que vale tá dito.
Grita!
Eu gostaria de declarar-me culpado
de ter coragem, assumo meu brado
de admitir, declarar-me culpado
por que errei, declarar-me errado
Eu gostaria de declarar-me culpado
de ter coragem e de ser culpado
por ter agido às vezes errado
e de errado, às vezes roubado
gostaria de declarar que fui fraco
Eu gostaria de declarar-me culpado
Não só por tudo que fiz de mal grado
Mas de ter culpa por ser o errado
Agora que o certo-alienado
Derrotou o radical mal-falado
Nesses dias do certo errado
Me declaro culpado por pensar
descansar e tentar e de rir
e culpado por não me importar
e ainda assim indignar-me
lhorar e orar e o ar
Encarrego-me de preservar
Se fumassa, em evento, a fizer
Que não seja fumassa qualquer
que ao menos afague essa culpa
que seja forte contra as desculpas
que aceitamos, cérebros lavados
Que seja do verde que cresce nos matos
Que cresça em nós a revolta aparente
E que crescente, se faça ação
Pois tenho culpa em meu coração
Por submeter-me ao inimigo que insulta
A liberdade de percepção
é a luta
a luta
ialuta
Sexta-feira, Junho 24, 2005
O corpo é infalível.
Nesses dias em que eu durmo menos do que a circunstância requer, nesses dias em que acordo sem a companhia da consciência, e em que a sobriedade é apenas mais uma lembrança de antes de começar a beber. Nesses dias eu realmente gosaria de ser burro. Não, eu queria é que meu corpo fosse burro.
Se nosso metabolismo não fosse tão infalível em detectar ressacas e noites mal dormidas, poderáiamos gozar de semanas movimentadas, trabalhando e estudando das 7 da manhã as onze da noite, virando noites à base de bebida e putaria. O cansaço não nos abateria, pois nós não iríamos querer que fosse assim.Enganaríamos o nosso corpo até o instante limite em que dormiríamos subitamente em nossa cadeira e babaríamos com as pernas abertas, de frente para o superior.
Ai, ai....dizem que essas coisas o homem resolve com pílulas, mas eu não sou assim. Agora, café, esse sim. É meu companheiro, meu salvador. Escrevi todo esse texto porque agora mesmo está saindo um café quentinho e eu vou poder voltar à minha leitura de Sevcenko. Eu gostaria de ter tempo pra ler, mas ainda assim, faltaria-me a disposição. Droga de conhecimento, que não se vende em pílulas...
Sexta-feira, Junho 17, 2005
father works out later, mother drinks herself to sleep....
mestre jupiter toca hoje no garagem hermética, na barros casal....isso é muito afudê, por que faz mais de 3 anos que não rola show do jupiter lá. júpiter é gênio, faz rock, como muitos, mas faz isso como poucos. psicodelia pura, meu caro.
Segunda-feira, Junho 13, 2005
O No Use for a Name (NUFAN) é uma das bandas mais importantes para a "cara" do hardcore melódico como o conhecemos hoje. Rótulos à parte, os californianos, junto ao NOFX, Bad Religion, Pennywise, Lagwagon (e tantos outros que não caberiam aqui, mas ainda assim seriam escrevíeis em uma folha de caderno), foram as bandas que definiram a sonoridade que viria a influenciar milhares de bandas, das quais outras beberiam, até chegar a essa salada de frutas sem gosto definido que é o mundo do hc melódico hoje em dia.
O No Use começou em idos dos 80, com Rory Koff na bateria, Steve Papoutsis no baixo. Tony Sly entrou nas guitarras na terceira geração da banda. Hoje em dia, a formação já mudou várias vezes, tendo contado com a participação de Chris Stifflet (Foo Fighters). Mas isso é o de menos, o incrível é como Rory Koff e Tony Sly conseguem manter vivo o espírito NUFAN com a ajuda de músicos de feeling. Pena que o estilo da banda tenha mudado num sentido por vezes repetitivo. Embora eu goste do NUFAN atual, a época do Daily Grind ao Making Friend ficou pra trás sonoramente.
Aí um clássico do Daily Grind, um CD igualmente irado...
No Use for a Name - Until it's gone
Buildings will replace the trees
Pollution will replace the air we breathe
I'm close to the mountain, just miles away
But I can't see the hills from here today
We can't just let it pass us by
And as I look into the sky
Something in the atmosphere is telling me it won't be here for long
Take a picture of this place cos extinction is not so far away
Our skin will fry like a steak well done
When there's nothing between us and the sun
We can't just let it pass us by
And as I look into the sky
Something in the atmosphere is telling me it won't be here for long
Until it's gone - Until it's gone
Until it's gone - We'll never miss it until it's gone, gone, gone
All the efforts seem to fall
With cars and cans of aerosol
I feel so guilty, then my pride will die
When I see the grey, self-created sky
Until we find a better way
We'll have to learn from all our big mistakes
Something in the atmosphere is telling me it won't be here for long
Until it's gone - Until it's gone
Until it's gone - Until it's gone
You'll never miss it until it's gone, gone, gone
Seems like a letter that we cannot send
Fells like aluminum we cannot bend
Tastes like a mixture that we cannot blend
But we must change the course of the recipe to the end, to the end
.::fsc
Ai,ai
Ontem foi dia dos namorados, e é engraçado como isso afeta o humor da chefe hoje. Eu não tenho nada contra o dia dos namorados, fico é feliz em ver como as mulheres exalam feromônios após noites especiais com seus companheiros. Tetas eriçadas, lá vamos nós.
Domingo, Junho 12, 2005
Por que falar em inglês com o Tâmega (meu cão)?
Por que se existe mais na linguagem do que a simples comunicação da forma que tem sido concebida por todos nós, acredito que o inglês (por sua simplicidade?) é o mais sucetível para fazer-me entender pro meu cachorro. O mesmo se aplica à música, que "soa" melhor em inglês. Quem sabe esta língua transmita de forma mais transparente os sentimentos. Fica a pergunta: animais entendem nossos sentimentos? Mas afinal de contas, eles têm sentimentos? Ou mais: animais entendem?
Quarta-feira, Junho 08, 2005
Sou Mero, Mero estagiário
Faço serviços avançados
Fotocópias dos dois lados
E fax com cabeçalho
Sou Mero, Mero estagiário
Diariamente explorado
Trabalho em feriados
Não tenho aniversário
Sou Mero, Mero estagiário
Minha chefe ven chegando
O computador trancando
E ela vendo eu escrevendo nesse blog, me fudi, vo se demitido, que bom, nem queria mais trabalha aqui mesmo, tchau
Sexta-feira, Maio 13, 2005
de dentro do escritório o mundo parece silencioso e estático
os prédios de 20 andares parecem vazios, sem vida
volta e meia, quando parece haver movimentação
olho mais de perto e vejo que é uma mosca do lado de dentro do vidro
dessa janela através da qual
observo o dia passar
enjaulado
Terça-feira, Março 22, 2005
já é o terceiro líquido diferente que eu engulo desde que cheguei ao trabalho, há cerca de uma hora e meia. como sempre, na chegada já enchi um copo de água e dois cubos de gelo e bebi tudo antes de sentar na frente do pc. como estava tudo monótono, cocei por umas dezenas de minutos e fui na cozinha preparar um chimarrão. ah, salvação! o chimarrão é euforizante, é uma planta, como o trevo, o tabaco, a cocaína, mas eu bebo e acredito no chimarrão, ao contráerio do resto. infelizmente, meu chimarrão ficou com gosto de terra, graças a estiagem pela qual o rio grande do sul passava até uma semana atrás. já era, pensei eu, prevendo uma tarde sonolenta.
passado o gosto de terra, fiquei um tempo se fazer nada, até que o telefone tocou. antes que eu pensasse "putz, lá vem trampo", lembrei que era a sagrada hora do cafézinho, e num golpe só, atendi o telefone dizendo "fraco com bastante açúcar, copo pequeno, 63 graus, brigadão hein déia." as coisas no escritório ficam assim, mecanizadas. você tecla as mesmas teclas, leva sempre o mesmo tempo pra acabar as tarefas, atende os mesmos telefonemas com a mesma mão, enquanto pensa sempre nas coisas que não deveria estar pensando, e daí, na hora que seu chefe te liga para te dar os parabéns por estar evoluindo do seu estado "relaxado", você o bombardeia rapidamente com detalhes de como quer o café. então, 3 segundos depois, o telefone toca novamente: "fala, déia?"
"corrêa, pode vir aqui na minha sala?"
você pensa "merda!" e se prepara psicológicamente. sente aquele aperto no ânus característico de quando faz cagada. dá aquela confusão mental, frente ao xingão eminente. pega o estilete, vai! põe no bolso, qualquer coisa...
...CONTINUA....
Segunda-feira, Março 21, 2005
trabalhar, de alguma forma, contribui para com a nossa criatividade. o caráter da contribuição é determinado pelas características de cada um de nós. eu: atrás da mesa em que digito números dos quais não sei o significado, sinto a zona criativa da minha mente sendo prensada por tanta matemática, e suas malditas PGs coordenam, comandam o trabalho dessa prensa. espero que esses períodos pelo menos se alternem....
sentei ali, percepção todalmente alterada, eu sinto o teclado como ele me sente mas sinto que as vezes acerto as letras sem querer, mas acerto certo e escrevo e disserto e esqueço do resto que ia escrever preocupando-me em não me perder.
sentei ali e pestanejei pensando no que escrever. prometi nunca mais me colocar naquela situação e lá estava eu novamente, dedos amarelos, mente cansada de procurar no que pensar.é engraçado como as coisas se tornam invisivelmente repetitivas para o fumante da erva depois que o hábito vira paixão. é como se apaixonar por uma garota, mas é muito mais duradouro. você cultivará por anos seu vício em comprar a erva mais perfumada e de boa cura, enrolar um fininho com elegância e, entre baforadas calculistas, pensar em diversos acontecimentos do seu pequeno universo maconheiro de conhecimento. assim vivia um pot-head como eu, pelo menos eu vivia assim.
enfim, é repetitivo estar ali olhando tudo, achando a paisagem maravilhosa, sem pensar concretamente em nada. você olha, acha tudo muito legal, mas na hora de formular um pensamento que clareie para você mesmo a explicação de tamanha beleza visual, na hora em que o cérebro tem que funcionar de verdade, você se sente bloqueado, e você realmente está. duro.
sentei ali, paralisado como uma estátua do mais puro gelo polar. ou canadense, já que minha cabeça não saia mais de vancouver e suas montanhhas rochosas de onde podemos ver o sol se por no mar pacífico do pacífico dando tchau ao sol que lá se vai nascer na austrália. oh! sonhar é mesmo fácil...
olhei o relógio do pc. 1 e 34 da manhã, o que significa, melhor começar uma certa movimentação. afinal, semana de trabalho é o que não falta pela frente, nessa dura mas extremamente recompensante estrada do 1o estágio, de 2 que terei que enfrentar antes da libertação final rumo ao país da ilustre vansterdam. tenho dito.
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
Psicodelia. Do latim, algo que eu gostaria de saber como se diz. Psico, me parece, diz respeito ao psíquico, as entranhas do pensamento in consciente. O show do Jupiter Maçã se incluiria no campo abrangido herméticamente pelo termo psicodelia. Hermético. Fechado. Mister Jupiter consegue, de alguma forma desconhecida pela maioria dos outros mortais desta e da outra galáxia solar, unir genealidade e espontaneidade de uma forma que aos meus ouvidos cai como um biquini com marquinha.
Quarta-feira, Agosto 18, 2004
Bom, começo indicando a justdust, projeto solo de eu mesmo. entre no site dos caras (eu), no purevolume.com, clicando aqui e confira as três músicas da semana, gravações caseiras bem feitinhas, com bateria e tudo. Tem hardcore, tem roquenrou, tem tentativas psico-vegetais de criar sons psico-DÉLic_o_s, não vegetais como esse que estou passando..:::;.,
Domingo, Agosto 01, 2004
Fala terráqueo-sem-nada-melhor-pra-fazer, esse é um blog no qual serão publicados letras traduzidas e resenhas da discografia das bandas que compoe o estilo-esteriótipo de hardcore californiano e todas bandas que se relacionam a estas de uma maneira mais direta, como bandas de emocore, old skool, X, dub, ska e o que der na telha, dependendo do humor...